Xeque-Mate – Direção

Por Edner Gustavo e Marcelo Leite


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Ao traduzir “To Play” para o português temos literalmente a palavra “Jogar” que para os americanos funciona como “Atuar”, ou seja, ao atuar estamos jogando. O espetáculo final da nossa oficina é literalmente um jogo, o Xadrez, mas existe ali uma série de jogos internos: jogo de cena, jogo com o colega da cena, jogo com o público, jogo com a luz, jogo com a música, jogo com os nossos medos, mas ao jogar uma partida inteira, fazemos o espetáculo acontecer.



Para Edner Gustavo

Esse ano foi um ano de sorte meus amigos, muita sorte.

Uma delas, foram os encontros com nossa Oficina. Encontros com trocas desde o início. Eu, um ator “bebê” que está no começo de um caminho longo de infinitos achados, estava, novamente, tendo a ousadia de estar junto com meu parceiro Marcelo Leite (experiente e muito carinhoso com seu trabalho) a frente de uma Oficina. Foi uma delícia! Talvez tenha aprendido mais do que ensinado.

Talvez não, é uma certeza. Aprendi muito.

Tinha a responsabilidade de compartilhar o meu olhar, como ator, em relação aos exercícios propostos. Isso exigiu com que eu estivesse com meus sentidos atento a tudo que me circulava (dentro e fora do teatro), pois sabia do tamanho da minha empreitada.

Foram meses, descobrindo coisas, nos aproximando, nos tornando parte um do outro sem perder a singularidade de cada um. Sempre procurando abrir espaços para que mais coisas pudessem nos preencher. Estamos cheios, satisfeitos por esse ano, mas em expansão constante. Queremos mais.

Iremos finalizar com um exercício lindo. A montagem de “Xeque-Mate”, de Leonardo de Castro.

Meu primeiro desafio de olhar e criar de fora da cena.

Marcelo sabe dar corda as loucuras que vai saindo da minha cabeça, mas também sabe segurar e colocar um pouco de realidade dentro do nosso processo criativo. Sempre discutimos o que queremos fazer e como ele sempre diz “Direção é opinião” muitas das nossas casam outras nem tanto, porém sempre chegamos a um ponto comum a nós e aos alunos.

Sou muito grato a tudo.

A cada um que esteve com a gente. Queria poder passar tudo que eu sinto por meio de palavras ou um abraço, mas sei que é impossível. Precisaria de muitas páginas ou de um abraço bem longo e bastante apertado. Então, obrigado ao meu amigo, professor, diretor, produtor e milhares de outras coisas: Marcelo Leite, por sempre acreditar e ser nossa bússola dentro do grupo e obrigado aos alunos que me receberam com carinho, perdoaram os erros, perguntaram, me fizeram ir atrás de respostas, respeitaram todos os momentos...enfim, permitiram eu fazer parte das noites de terça-feira deles.

Espero que esses encontros continuem acontecendo e a gente continue crescendo. Juntos! Buscando ser seres melhores, sempre com vontade de aprender e trocar com o outro. Merda, minha gente!


Para Marcelo Leite

Nossa oficina começou em março deste ano e de lá pra cá foram muitos encontros, trocas, exercícios vocais, corporais, cenas e claro muito afeto.

Também nos divertimos indo a um barzinho ao final de uma aula e outra, podendo nos conhecer melhor e reforçar laços que vão se refletir no palco.

Ao meu lado sempre meu fiel escudeiro: Edner Gustavo. Que no Fulano só havia experimentado a cena de dentro (como ator), foi convidado a ver e pensar a cena de fora (como diretor). E as ideias fluíram. Foi um processo interessante, pois dirigir a quatro mãos, duas cabeças pensantes, duas opiniões (que na maioria das vezes eram convergentes), nos levou a caminhos outros que não planejamos. Mas que ficaram interessantes em cena.

Jogar o jogo entre a gente e conduzindo a jogada dos nossos alunos-atores foi uma experiência incrível.

Fora que acompanhar um jovem ator que estuda muito para dominar a cena, que se arrisca na dramaturgia e se dá bem também na produção, com possibilidades de vir a ser um bom diretor é instigante.

Por falar neles, estamos chegando ao fim dessa jornada com 14 promissores talentos: Bruna, Carol com C, Cássia, Jimmy, Fernanda, Henrique, Kakau, Karol com K, Léo, Luciana, Luísa, Sônia, Yuri e Zé. E foi uma caminhada bem interessante, desde quando os recebemos no início cheios de medos e receios, falando baixinho, respirando errado, com corpos “engessados” pelo tempo e hoje poder vè-los falando bem, usando o diafragma corretamente, com corpos mais disponíveis é de uma alegria e orgulho que os Profes ficam todos bobos.

Essa turma foi uma grata surpresa. Que continuem a fazer arte!

Um agradecimento especial ao Leonardo de Castro, que gentilmente nos cedeu o texto para que pudéssemos encerrar esse ciclo de uma forma divertida, irônica, reflexiva e leve, pois assim é “Xeque-Mate”, de sua autoria e que foi selecionado no VII Concurso Nacional Jovens Dramaturgos - SESC Escola de Ensino Médio, 2017.

Não percam: “Xeque-Mate” de Leonardo de Castro com direção de Edner Gustavo e Marcelo Leite, com nossos alunos-atores em cena.





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