Vamos Falar Sobre Dança-Teatro?

Por Manolo Schittcowisck

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Lua Cheia - Pina Bausch

O Expressionismo Alemão pode ser considerado uma fusão entre o pessimismo e o cenário desolador encontrado no país no pós-guerra (1914-1918) com a tradição da literatura fantástica alemã. A relevância deste movimento artístico cinematográfico influenciou vários artistas mundiais em diversas outras linguagens artísticas como a dança e o teatro.


François Delsarte (1811-1871)

Ainda no século XIX François Delsarte (1811-1871) após um desenvolvimento fracassado em um conservatório, mesmo com qualidades artísticas para o canto e o teatro, começa a observar a relação entre a voz, o gesto e a emoção interna.

Delsarte constata que “a emoção, uma imagem cerebral, corresponde a um movimento ou uma tentativa de movimento” (BOURCIER, 1987, p244).






Dessa observação, anos depois, nasce toda uma geração de dançarinos que buscam a intensidade do gesto pela relação que este tem com a intensidade da emoção.

Lua Cheia - Pina Bausch

Na Alemanha, essa mudança radical na maneira de pensar o movimento e a dança tem início com Rudolf von Laban (1879-1958), também influenciado por Delsarte. Por sua vez, Kurt Jooss (1901-1979), em parceria com Laban, desenvolve novas ideias no plano da composição coreográfica e busca criar uma nova identidade para a dança, unindo movimento, sentimento, inteligência e emoção; a nomeiam “Tanztheater” (dança-teatro).


Mary Wigman (1886-1973), contemporânea e compatriota de Jooss, também herda em suas danças uma forte influência das ideias delsarteanas, mas diverge seu trabalho do de Jooss ao rejeitar o ensino de alguns princípios do balé clássico como base para a nova dança.

Jaques-Dalcroze (1896-1950) também influenciou toda linhagem de dançarinos alemães. Um músico que constatou a importância da educação corporal para o trabalho do músico, ao perceber que a execução da música se dá através do movimento ritmado do corpo.


Rudolf von Laban (1879-1958)

Laban começou a estudar a natureza dos movimentos. Wigman acreditava que um novo balé surgiria do rompimento total com as convenções do balé clássico.


Jooss, por sua vez, partiu deste mesmo conhecimento que Wigman rejeitara para criar sua expressão na dança, além de criar o primeiro balé da história a trazer um tema político-social para a cena aberta.


Após a Segunda Guerra Mundial surge uma espécie de dialética da história da dança de nossa época: a dança moderna, que no começo do século, é a primeira negação do balé clássico.


Em meados do século aparece a negação da negação. Novos coreógrafos pretendem utilizar o movimento não por sua significação, mas pelo próprio movimento, como objeto.


Na segunda metade do século XX aparece Pina Bausch (1940-2009) que induz o espectador a uma leitura pessoal da realidade focalizada, realidade esta que passa a ser uma “recriação” e não uma “interpretação” de modelos comportamentais conhecidos. Pina constrói a dramaturgia do expressionismo via dança.

Para lidar com o que ela criava, foi necessário nomear uma categoria que pode parecer um hibridismo, mas que, na realidade, representa uma nova instauração: a dança-teatro ou tanztheater.
Mesa Verde - Kurt Jooss

Não se trata de uma maneira ou outra de representar os mesmos conteúdos preexistentes como dança ou teatro. Pina Bausch cria novas formas-conteúdos. Através de uma nova sintaxe para o teatro e para a dança, ela inventa uma singular modalidade de dramaturgia, uma dramaturgia escrita e inscrita nos movimentos dos atores-bailarinos, também co-autores, uma dramaturgia corporal, que rompe os limites tradicionais entre o teatro e a dança.


Cenas de "Mesa Verde", de Kurt Jooss.

Cenas de“Kontakthof”, de Pina Bausch.


Sobre a Oficina:

As aulas irão começar no dia 04/05 e serão aos sábados das 8h às 10h, a partir dos 16 anos de idade. Informações e inscrições podem ser feitas pelo whats: (67) 9 9339-5734.

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