Quem sabe ainda sou um garotinho

Por Edner Gustavo

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As vezes me pego pensando se ainda eu sou um “garotinho esperando o ônibus da escola”.
Edner Gustavo como Palmiro | Foto: Vaca Azul

Acho que continuo me sentindo esse garotinho, pegando ônibus para todos os lugares que consigo e que eu quero estar. Não sei se é uma qualidade ou desqualidade da minha geração (Y), mas queremos muito: conhecer muito, amar muito, saber muito, conversar muito... tudo muito e ao mesmo tempo. Tudo rápido e dinâmico, por isso às vezes nos encontramos perdidos dentro de nossas próprias vontades e escolhas. Queremos saltar do “Busão” para o “Avião” de um dia para o outro sem pelo menos se conhecer e entender o sujeito que você "está", sabendo que estamos em constante construção e desconstrução. Então o sujeito de hoje não será o sujeito de amanhã. Que maravilha!



E porque falar tudo isso? Isso que, com certeza, muita gente considera loucuras de um, ainda, adolescente tentando sair da fase de espinhas e migrar para uma vida adulta de contas para pagar.

A questão é que eu estou vivendo – SIM – uma vida adulta e não consigo encontrar o momento exato em que se deu essa transição. Mas sinto que esse ano estou vivendo o que as pessoas chamam de vida adulta. Já consigo escolher mais os ônibus que eu entro e que quero entrar. Já consigo lidar com algumas (estou falando de poucas e não muitas) consequências das minhas escolhas. Esse ano começou cheio dessas consequências.




Começamos janeiro trabalhando muito.

Remontamos “A Fabulosa História do Guri-Árvore”, refizemos tudo: cenário, figurinos, maquiagem, reinventamos o nosso olhar sobre as palavras desse texto, a trilha sonora. Enfim, foi um trabalho artesanal de afeto e carinho. Consequência dos atravessamentos que tivemos em 2019. Tudo que aconteceu dentro do grupo nos trouxeram até aqui. Fizemos duas curtas temporadas e vamos continuar fazendo. O processo está muito gostoso e vivo!

Equipe do "Guri-Árvore" | Foto: Arquivo pessoal

Em fevereiro tive várias “primeiras vezes” – Andei de avião, conheci o Rio de Janeiro, tomei banho de mar, assisti Liniker e os Caramelowns, assisti o espetáculo “Tom na fazenda” e “Auto do João da Cruz” (Texto inédito do Ariano Suassuna, escrito cinco anos antes do “Auto da Compadecida”), empurrei um carrinho de “CAIPE” (Caipirinha), escutei o final do show da Iza em Ipanema, fiquei bêbado sentado no calçadão de Copacabana, tomei chá mate gelado e com limão... Eita! Poderia ficar me embriagando e sorrindo com todas as histórias gostosas que vivi no Rio. Agora mesmo se eu fechar os olhos consigo sentir a brisa do mar, escutar o som das ondas, sentir o sol da tarde se despedindo da gente. Apaixonante! Voltamos mais leves e vivos. Outra consequência de nosso 2019!

Ipanema - Rio de Janeiro | Foto: Arquivo Pessoal

Chagamos e já estamos trabalhando. Passamos no FOMTEATRO e estamos ansiosos para começar a trabalhar logo nesse projeto. Escolhemos nosso próximo texto a ser montado. Estamos fazendo parte de um novo espetáculo “SG67”. Entrei para Faculdade de Teatro Licenciatura, na UEMS, outra consequência e início de um caminho de descobertas. Temos temporadas marcadas.... Oh, coisa gostosa que é ter trabalho o ano inteiro!

Cena - "Guri-Árvore" | Foto: Vaca Azul

O ano só está começando e quero ir vivendo cada momento dele sem me adiantar com o futuro. Continuo um garotinho, acreditando em muitas coisas e pegando muitos ônibus para a escola. Espero nunca parar, estacionar nessa via movimentada que é a vida. Quero ter sempre essa curiosidade que um garotinho tem, mesmo tendo que pagar contas, passar perrengues, assumir consequências.... Enfim, quero viver!

Equipe - Guri-Árvore | Foto: Vaca Azul




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