Os Desafios da Representação Cênica

Por Manolo Schittcowisck


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"O processo criativo se torna mais fluído quando nos dedicamos previamente ao estudo do próprio processo."

Pensamos em uma aula onde pudéssemos derrubar por terra uma grande barreira que se faz persente em qualquer Oficina de formação teatral: a representação. Muito antes de se pensar numa estética de interpretação, é importante que nossos alunos compreendam as estruturas técnicas da representação cênica. Assim experimentamos levar a eles parte dos processos de pesquisa que desenvolvemos já há algum tempo nos estudos de mesa e nas salas de ensaio do Fulano di Tal, apresentando-os a metodologia do intérprete–criador.

"Nos permite ampliar as possibilidades enquanto intérpretes."

A ideia é tornar cada vez mais horizontal a relação entre direção–encenação–intérprete, assim como já funciona dentro do próprio Fulano di Tal, propondo ao intérprete/aluno a possibilidade de se ganhar propriedade sobre seu processo de aprendizagem.

"Pude ir para a cena menos ansiosa e sabendo, de fato, o que estava fazendo lá. "

Essa aula foi planejada utilizando como material teórico o livro “Teatro do Movimento: Um Método para o Intérprete–Criador” que traz um significativo método para o artista pesquisador e que, entre os muitos sistemas possíveis de formação de artista, recorta possibilidades únicas de um panorama conceitual e prático também composto de outros métodos, sistemas de ideias e práticas.


Na primeira parte da aula os alunos conheceram os esquemas propostos pelo método e experimentaram desenvolver uma cena utilizando como material dramatúrgico os próprios rascunhos textuais trabalhados anteriormente nas aulas sobre escrita–fluxo¹, ministradas por Marcelo Leite. Numa segunda parte da aula os alunos levaram para a cena seus próprios estudos esquematizados, sem seguir comandos prévios e externos de direção.


"Conseguimos pôr em cena tudo o que ensaiamos. "


"Pude perceber que tinha sob o domínio todo o contexto da cena."


O resultado que pude apreciar foi sensacional! Alunos que, até aulas anteriores, em seus exercícios práticos de cena ainda apresentavam fragilidades inerentes a alunos em processo de formação teatral, nesta aula mostraram muito mais propriedade e qualidade em suas representações, dominando estruturas técnicas como: projeção vocal, corpo cênico, movimentação cênica, relação com elementos cênicos, jogo cênico com os colegas com quem dividia a cena; e alguns até arriscaram estéticas de interpretação na composição de suas personagens, experimentando a comédia, a pantomima e as estéticas brechtiana e stanislavskiana.

"Pensei o ‘imaginário criativo’ utilizando características pessoais, me aproximando ainda mais do estado da personagem."

Para os alunos a aula foi muito produtiva e também esclarecedora, pois apresentou-lhes possibilidades outras além dos métodos de representação cênica mais comuns e que às vezes não são tão funcionais, considerando que cada aluno, assim como cada intérprete, estabelece uma relação muito próxima entre sua personalidade e suas escolhas artísticas.

"O exercício me mostrou que há chances de se desenvolver a criatividade. Eu acreditava que a pessoa é ou não criativa. Mudei de ideia! "

A pedagogia teatral faz-se importante para que possamos pensar a formação de nossos alunos, independente se ao final do processo permanecerão no trabalho com a arte teatral ou não, de maneira mais humanizada e construtiva do que propriamente tecnicista, prezando cada vez mais pela qualidade do que pela quantidade de novos artistas.

"Esse exercício me fez ter a certeza de que teatro é repetição."


Bibliografia

LOBO, Lenora & NAVAS, Cássia. Teatro do Movimento: Um Método para o Intérprete–Criador. Brasília: LGE Editora, 2003.

¹ Pesquisa desenvolvida por Jonathan Andrade. Professor de teatro, poeta, ator, diretor, dramaturgo e cenógrafo, bacharel em Artes Cênicas, com habilitação em Interpretação Teatral, pela Universidade de Brasília. Integrante fundador do Sutil Ato, grupo teatral de pesquisa no qual realiza experimentações nos campos da atuação, da cenografia, da dramaturgia autoral e das poéticas narrativas.


Jonathan Andrade


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