Falamos de Teatro ou da Vida?

Por Luciana Rodrigues Mandu

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Em fevereiro de 2019 fui atravessada pela seguinte notícia:


Arte de divulgação da Oficina de Interpretação do Fulano

“Agora uma novidade para quem sempre sonhou em fazer teatro: O grupo Fulano di Tal terá oficina de teatro o ano todo!!!! Com direito a apresentação no final do ano e tudo. Chique né?? E como nós sabemos que a grana está curta, pensamos em um investimento que caiba no bolso de todo mundo. Pronto! Você não tem mais desculpas. Libera o artista que há aí dentro e venha fazer teatro com a gente. Para mais informações é só entrar em contato conosco”.

Arte final de divulgação da Oficina do Fulano

Ainda com a euforia daquela maravilhosa proposta, preenchi um formulário de inscrição, no qual constavam as seguintes perguntas: “já fez teatro?” e “sabe cantar e atuar?”, respondi negativamente para as duas indagações, desejando de todo coração que outros coleguinhas tão “crus” quanto eu, também se inscrevessem.

Primeiro encontro da turma de Teatro - Interpretação

O primeiro encontro com os Fulanos já me fez crer que aquele caminho que percorreríamos seria incrível, mesmo que eu sequer viesse a pisar num palco, já era o bastante aprender com cada um deles.


Quantos talentos e belezas em um só lugar!


O mesmo posso dizer dos colegas da Oficina, já que vários deles, com os quais tive oportunidade de conversar e aprender, eram dotados de um admirável encantamento pelas artes. Eu me senti como se estivesse na companhia de pessoas com quem eu realmente poderia “me ser”.

Exercícios de expressão corporal

De cara, disseram-nos que “erros não existem, o que existe é um festival de possibilidades” e que ali era o “lugar para ser ridículo”. Que deliciosas constatações! Quando dei por mim, mal podia esperar pelas dezenove horas das terças-feiras.


E nesse percurso, não apenas lá dentro, mas também para além daquela sala preta cheia de tudo e de nada, aprendi a amar a minha versão ridícula.


Encantou-me profundamente o olhar sensível dos Fulanos todos – em especial Edner, Marcelo e Manolo – para o material humano que recheia a Oficina.


Exercícios de expressão vocal

"Eles olharam para nós e para tudo o que nos constitui, inclusive nossas limitações, com respeito e delicadeza."


As lições que venho aprendendo na Oficina de Teatro foram fundamentais no processo de reconhecimento da potência do meu corpo enquanto instrumento criativo para arte, apesar da (e por meio da) minha humanidade demasiada humana (cheia de cansaço, insegurança, má postura e vícios de respiração não-diafragmática).

Aula de Dramaturgia & Criatividade

Alguns colegas nos deixaram depois do primeiro semestre e eu posso sentir a ausência deles. Outros novos colegas vieram compor o nosso grupo, que atualmente conta com 21 aprendizes entusiastas.

"É um time e tanto, que eu me orgulho de fazer parte dele."




Na última aula, antes de irmos embora, todo mundo se abraçou e eu senti ali que, de alguma forma, estávamos conectados. Foi lindo.

Vários encontros num só abraço

Também em nosso último encontro foi feita menção a um “sofá quebrado”, como referência a alguma situação inesperada e difícil que demanda de nós um improviso inteligente para dar prosseguimento ao espetáculo e, quem sabe, até aprimorá-lo. Falávamos de teatro ou da vida? Não sei ao certo.


A verdade é que ninguém sai ileso quando atravessado pela arte.


Eu não saí!

Luciana Mandu | Aluna da Oficina FdT de Interpretação


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