A convergência de despedidas em novos encontros

Por Vini Ferreira

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Público Pré-Estreia “A Fabulosa História do Guri-Árvore” | Click: Vaca Azul

Se na primeira semana de Junho estávamos iniciando um desafio pré-mostra, com 5 apresentações em 5 dias por 4 escolas de Campo Grande, as 3 semanas seguintes mostrariam que o desafio na verdade seguiria por todo mês, com muito trabalho, suor, lágrimas (porque não?), mas também com muita entrega, arte e alegrias (arte sem sorrisos e lágrimas não seria arte, né?).


Em junho nos encontramos para nos despedir.


Abrimos a mostra com a última temporada de "Ópera do Malandro", texto tão ilustre de Chico Buarque, tão importante para nós e tão necessário para o país neste momento sombrio que nos encontramos, seja na política, no social, mas principalmente para a arte como um todo.

Cena Final de “Ópera do Malandro” | Click: Vaca Azul

Foi a despedida. A última vez que nos encontramos com essas figuras tão marcantes, escritas em um momento muito mais delicado da história, mas que ainda fez nos identificar com cada um deles nesses 4 anos em cartaz. Seja pelo enredo, pelos personagens e claro, pelas músicas que o Chico presenteou a todos em sua obra, o que nós ganhamos e crescemos enquanto artistas, nos apropriamos e entendemos de uma ideia e conceito de trabalho em grupo e amadurecemos enquanto indivíduos entendedores de sua consciência social, essa marca que ficará em nós jamais poderá ser mensurada e descrita totalmente.


Gratidão, missão cumprida e saudade resumem minimamente o encerramento deste ciclo. Obrigado Geni, por ter me salvado de inúmeras formas em que eu precisava ser salvo. Nos vemos por aí... Sem pedras, nem dedos apontados para te julgar...

O amor ainda prevalecerá.


Ah o amor! Esse velho conhecido esteve de volta na nossa segunda semana de temporada.

Cena Inicial de “Lápide Inconclusa em Quarta-feira de Cinzas” | Click: Vaca Azul

Revisitamos “Lápide Inconclusa em Quarta-feira de Cinzas” de Manolo Schittcowisck, que desde março já vinha nos rendendo grandes alegrias e tantas outras emoções que essa obra carrega, seja na nossa curta temporada, seja na mostra de teatro em Sertãozinho/SP.

Desde 2016 contamos a saga de Josephine e Pierrot


A cada ano conseguimos contar uma história diferente dentro da própria história, seja com 3, 8 ou 6 intérpretes em cena, nossa missão era levar ao público essa mensagem de que mesmo em meio a tantos obstáculos que permeiam as relações humanas, o amor ainda é preciso, relevante e necessário nessa era de liquidez das emoções e volatilidade das trocas afetivas.


Com uma dramaturgia precisa em sua costura de texto, uma trilha que abraça e rasga nosso íntimo e memórias, nesses quatro anos de montagem e pesquisa, sempre buscamos trazer algo novo e que possibilite levar ao público novas perspectivas, seja pra quem assista pela primeira vez ou para quem já acompanha a trajetória do espetáculo.

Dessa vez não foi diferente. E desafio a quem já viu Lápide que veja numa próxima oportunidade e sinta junto conosco essa metamorfose constante. Um fato é certo, ninguém sai o mesmo depois do espetáculo, nem dentro e nem fora do palco.

Público de “Lápide Inconclusa em Quarta-feira de Cinzas” | Click: Vaca Azul

E teve estreia sim senhor!

Fechando a mostra, em sua última semana, tivemos a estreia de “A Fabulosa História do Guri-Árvore” com dramaturgia e encenação de Edner Gustavo e Manolo Schittcowisck.

Manolo e Edner em cena de “A Fabulosa História do Guri-Árvore | Click: Vaca Azul

Logo de cara, uma coisa posso afirmar com propriedade de quem vem acompanhando bem próximo de alguns meses para cá os ensaios (desde a pesquisa para ajudar na construção da trilha ou na produção) é que, seja na pré-estreia na quarta-feira, nas escolas municipais na quinta e na sexta, na Maternidade Cândido Mariano no sábado ou na estreia para o público no Shopping Bosque dos Ipês no domingo, uma coisa é certa, por onde passou esses "guris" fizeram muita arte e sinta-se livre aqui para usar a interpretação que achar melhor para a palavra.

O guri Marcelo na direção nos levando para dentro dessa grande brincadeira de quintal, com muita agilidade no jogo cênico, ludicidade da brincadeira de objetos, troca viva e autêntica com o público seja infantil ou adulto, uma simplicidade nada simplista de quem consegue ainda enxergar o mundo, o palco e a direção pelos olhos sensíveis e sapecas de uma criança.

Marcelo Leite, diretor de “A Fabulosa História do Guri-Árvore” | Click: Vaca Azul

Os guris Edner e Manolo que criaram essa história "fantabulosa" inspirados em suas próprias histórias e nas incríveis aventuras literárias do mestre Manoel de Barros e que nos transportam para um lindo fim de tarde da infância para aqueles que ainda tiveram a sorte de brincar e se ralar muito nas manhãs, tardes e noites nas ruas, escolas e quintais da vida, daquelas histórias que cada um guarda para vida toda em um lugar bem quentinho nas lembranças.

Manolo e Edner em cena de “A Fabulosa História do Guri-Árvore | Click: Vaca Azul

E com a propriedade de quem escreveu esse mundo fantástico, os dois vão para cena brincar de contar histórias e revivê-las a cada apresentação, nos trazendo a inocência e a pureza da época em que só nos importávamos com qual seria a próxima brincadeira antes do dia acabar.


Histórias do nosso e do seu quintal se fazem presentes em Guri-Árvore.


O guri Darlan na concepção do cenário, que com ajuda do guri Alê e das gurias Gabi e Karen e da guria Carol nos figurinos e adereços, nos fazem entrar de cabeça naquele quintal gramado dos fundos de casa com seu varal, mas que quando nossa imaginação deixava, criávamos o mundo que queríamos viver.

Os Guris, brincando em seu quintal | Click: Vaca Azul

Foi uma semana (e meses) de muito trabalho para que esse novo encontro fosse possível. E como valeu a pena.


O gurizinho do Fulano nasceu!


Foi um mês e tanto. Encerrando um semestre malucamente e deliciosamente inesquecível. Saímos para essas "férias" (quem disse que conseguimos parar 100%?) com a consciência de que precisávamos nos despedir para nos encontrar e convergir em novos encontros.

E olha... segundo semestre promete muita novidade com alguns reencontros e o novo projeto do grupo. Tão curiosos?! Vem com a gente que no caminho a gente explica...


"O trem que chega é o mesmo trem da partida, são só dois lados da mesma viagem..."

Até logo mais! | Click: Vaca Azul


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