A coisa mais importante que se pode aprender!

Por Vini Ferreira


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Arena final de "Lápide"

Tudo e todos iriam mudar muito...

Foi lá em 2016, quando começamos a escrever o primeiro capítulo dessa história, que com certeza marcará para sempre o Fulano, assim como deixará também sua marca em cada um que pôde fazer parte desse espetáculo, que a cada novo processo se recriava, reinventando nosso olhar e o olhar do público para a obra e também para o trabalho de pesquisa do grupo. Tudo e todos iriam mudar muito e talvez não tínhamos ideia do quanto.


Roteiro de Lápide - Em construção...

Neste primeiro ano foram 6 meses de muitos estudos, pesquisas, encontros, leituras e ensaios até a estreia. Manolo Schittcowisck enquanto dramaturgo de “Lápide Inconclusa em Quarta-feira de Cinzas”, nos apresentou sua obra e o “universo” contido nela, através da Rapsodomancia, onde os trechos de dezenas de obras e autores já existentes (seja da literatura, do teatro, do cinema, da TV ou então da música e assim por diante) costurados criam a história inédita de Pierrot e Josephine. É aquele tipo de texto que faz arrepiar a espinha já na primeira leitura. Já estávamos rendidos e reféns de um trabalho tão intenso, poético, estético e visceral.


Muitos estudos, pesquisas, encontros, leituras e ensaios até a estreia.

Entra também Marcelo Leite, que juntamente com o Manolo, assume a direção desse desafio tão incrível, com a responsabilidade de conduzirem essa nova linguagem, voltada para o drama dentro de uma estética contemporânea. Era tudo muito novo para o Fulano, mas sempre acreditei que o futuro estaria reservando algo grandioso para todos nós e para aqueles que viriam a passar pelo espetáculo nos anos seguintes. E quem conhece o Marcelo sabe que ele adora um desafio, então eu também já sentia que a sua visão e seu desejo em arriscar traria momentos memoráveis para o espetáculo, e foi assim em todas as versões que apresentamos.

Era uma vez um menino (Vini Ferreira)

Neste primeiro ano eu, o Ton Soares e a Rayra Calin fomos os responsáveis por dar vida aos Pierrot’s e a Josephine, respectivamente. Ah que sorte a nossa! E assim entramos de cabeça nessa jaula de leões que era “Lápide”.

Vini, Rayra e Ton | 1ª Temporada de Lápide

Enquanto descobríamos o que era e como era ser um intérprete-criador, éramos cada vez mais envolvidos e quando menos percebemos estávamos totalmente entregues ao processo, aos personagens e em descobrir e entender aquele quebra-cabeça enigmático à nossa frente mas também com a confiança de que estávamos seguros em mãos mais do que preparadas para nos guiar.


Estreamos e já dava pra sentir desde o princípio o impacto que “Lápide” causava no público e como isso reverberava de volta na gente. Mas também tínhamos a tranquilidade em saber que era apenas o começo (mesmo não tendo como mensurar a imensidão de maturidade que ganharíamos ao final destes quatro anos). Um fato era certo e preciso: já não éramos mais os mesmos de quando entramos.

Vini e Rayra | Pierrot e Josephine

No ano seguinte o Ton foi seguir novos caminhos e chega o Yuri Tavares para assumir então seu lugar de Pierrot. Tínhamos a difícil tarefa de, em mais ou menos um mês, reestrear “Lápide” no Festival Boca de Cena/2017 onde teríamos duas sessões seguidas. E então sentimos o impacto.

Yuri e Rayra | 2ª Temporada de Lápide

Muitos fatores levaram a um resultado bem longe daquilo que já tínhamos construído e que sabíamos que esse trabalho merecia, seja pela obra tão rica em si, ou então pela direção profissionalmente conduzida e embasada. Mas além de apenas identificar falhas e apontar erros, entendemos que era preciso desacelerar e voltar a nos debruçar sobre a mesa de estudos. Estávamos prestes a mudar mais uma vez.

O que pareceria uma volta à estaca zero, foi na verdade um salto enorme, e tanto quantitativa quanto qualitativamente fomos beber em algumas teorias e vertentes do teatro. O que era um núcleo de estudos e pesquisas passa a integrar a rotina do grupo todo. Nascia então “À Luz da Lápide”! Erámos 8 intérpretes (Andressa Zonta Bussolaro, Davi Silva, Lydi Coimbra, Manolo Schittcowisck, Maria Fernanda Fichel, Samir Henrique, Yuri Tavares e eu), divididos nos 8 atos de “Lápide” que resultariam de um estudo de 4 teóricos e suas vertentes no teatro (Constantin Stanislavski, Peter Brook, Jerzy Grotowski e Bertolt Brecht), levando o jogo cênico para o palco de arena pela primeira vez. Em 2017 conseguimos usar um momento delicado e de crise para transformá-lo em um ano de transformação, crescimento, amadurecimento e muito aprendizado.

À luz da Lápide | 3ª Temporada – um exercício cênico

A rotina de pesquisas e estudos sobre “Lápide” tornaram-se constantes e permanentes. Em 2018 o grupo completou 15 anos, ou seja, uma data forte e de muita importância e que acabou refletindo esse momento de amadurecimento artístico e profissional. Agora não mais divididos por cenas/vertentes, o espetáculo volta a integrar a dinâmica da relação entre os dois personagens, mas em um jogo cênico onde 6 intérpretes (Darlan Gracciose, Edner Gustavo, Gabriela Coniutti, Karen Freitas, Lydi Coimbra e eu) dividem esses mesmos personagens, além de nova proposta para a estética visual (figurinos, maquiagem e cenário).

Abertura | 4ª Temporada de Lápide

Alcançamos o formato que acreditávamos ser o mais próximo do ideal, mas sempre a cada nova apresentação ou temporada, novas inquietações e provocações faziam surgir um novo espetáculo com novos elementos ou alguma mudança no jogo entre os intérpretes, sejam entre eles, com o espaço ou com o próprio público.

Novas inquietações e provocações faziam surgir um novo espetáculo.

Esse ano de 2019 foi importante, pois foi o ano que conseguimos tomar mais propriedade sobre o espetáculo.

Elenco, direção e produção rumo a Sertãozinho (SP)

Tivemos a participação da Fernanda Kunzler como atriz convidada, vindo para somar e agregar ainda mais ao nosso trabalho. Fizemos uma pequena temporada no começo do ano, participamos da Mostra Nacional de Teatro de Sertãozinho/SP (nossa primeira apresentação fora do MS), fizemos nossa Mostra em junho (ufa, quanta coisa).


E então foi decidido que em setembro faríamos a temporada final de “Lápide” pelo Fulano di Tal.


Entendemos que era hora de encerrarmos esse ciclo, e não porque o processo já estava acomodado ou então que já tínhamos explorado todas as possibilidades, muito pelo contrário. Mais uma vez nos reinventamos, agora com apenas 4 intérpretes, sendo 3 Pierrot’s (Darlan, Edner e eu) e uma Josephine (Karen) e sem perceber estávamos com quase o mesmo formato de quando estreamos em 2016 com 3 intérpretes, mas agora com uma bagagem muito rica, uma apropriação mais profunda da obra e dos personagens, um amadurecimento artístico, profissional e pessoal, uma visão de grupo e de mundo muito mais fortalecida e estruturada.

5ª e última Temporada de Lápide

Mas por que então encerrar esse ciclo? Para que novos se iniciem e sejam tão produtivos, transformadores, enriquecedores e especiais como foi a passagem de “Lápide Inconclusa em Quarta-feira de Cinzas”, bem como a de seu brilhante autor e co-diretor, Manolo Schittcowisck, deixando sua marca no grupo, naqueles que estiveram na plateia e foram tocados tanto quanto a nós em cena e em todos aqueles que puderam fazer parte dessa trajetória que se encerra depois de 4 anos, mas que pareceram uma vida toda de construção, crescimento, algumas quedas (natural de todo caminhar), reestruturação, aprendizado, trocas, gratidão, cumplicidade, generosidade, entrega, mas principalmente pela mensagem que a obra nos deixa: aprendamos a amar!

Fim!


Agradecimentos Especiais (Nota FdT)

Manolo Schittcowisck (dramaturgia e direção) / Marcelo Leite (sonoplastia e direção) / Ao elenco final de Lápide (Darlan Gracciose, Edner Gustavo, Karen Freitas e Vini Ferreira) / A todos os intérpretes-criadores que ajudaram a contar esta história /

Douglas Caetano (Iluminador) / TgR – Teatral Grupo de Risco / SESC Cultura MS /

Vaca Azul (Helton Pérez e Hana Chaves) / Pierrô Fantasias / Vult Cosmética / SECTUR e Prefeitura Municipal de Campo Grande / Centro Cultural José Octávio Guizzo / Reconta Conteúdo (Isabela Ferreira) / Imprensa local / Prefeitura Municipal de Sertãozinho (SP) /

e claro, agradecimentos mais que especiais ao público que acompanhou a bela história de Pierrot e Josephine.



Nosso último jantar


Fotos: Vaca Azul / Acervo Grupo


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